Vai que eu quero ver!

10 11 2010

Vai que eu quero ver.

Vai que eu quero ver!

Vai que a noite chama,

Vai que eu quero ver.

 

Planta rompe e sobe ao sol.

Sobre a terra vem o mar.

Nas estrelas tem trovão

Que explode em cada alma e ativa o coração.

 

Veja, a frente está repleta.

Entrelaçam-se no ar

A beleza e o chão.

Imagina-se a Vida e diz que vai….

 

Vai que eu quero ver.

Vai que eu quero ver!

Vai que a luz me chama,

Vai que eu quero ver.

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Cheguei!

10 11 2010

Cheguei nesta terra de ninguém,

Cheguei onde sempre nasci.

Cheguei neste vento de alguém

Que ainda não vivi.

Abre-se a Terra em todo o ventre do espaço,

Brilha-se a alma em tempo-aqui.

Abre-se a Terra em todo o sempre do eu-faço,

Em cada lágrima sorri.

Cheguei nestas terras de ninguém,

Cheguei onde sempre nasci.

Cheguei neste evento de alguém

Que em si já vivi.





Abraço Acústico

22 10 2009

Tocam-se os acordes em fricção aérea profunda

E este abraço parece vir de todos os lados

Até dos lados que não existem em espaço.

 

Irrigam este estar com memórias,

Expandem este existir para novas fronteiras de tempo.

Algumas que ainda virão, outras que nunca chegaram

Ou que ondularam-se-já em universo privado.

 

Lançam em meu palco horas vividas e outras intuídas.

Trazem em múscia o que ainda não há,

Qualidades não sabidas,

Contempladas apenas no desejo líquido deste fluxo acústico.

 

Ouço.

 

A melodia de agora

Aflora estas dimensões e mais.

Petaliza em seda a maneira como minha pele toca o tempo aqui.

 

A Vida toca-me em música.

Instrumento.

                                               – Hans Machado





Veio Artístico

22 10 2009

Rios, riachos, córregos…

Ruas e artérias.

Há muitas vias.

Aveias!

 

E os cereais,

Que trazem o Sol engolido em seus dentros,

Nos repassam esta luz líquida

Com que fazemos circular nossas intenções

Nos músculos que sustentam

Nossa imaginação.

 

Correm as intenções pelas artérias

E volta o pensamento ponderado pelas veias.

Reflexão sanguinea das imaginações agidas.

 

Vales de atração,

Veio intencional,

Formam-se os rios.

Correm,

Correm egos pelos córregos.

 

No cenário muscular

A luz é transformada em sentidos.

O espetáculo é encenado no

Ritual encarnado.

 

E pelos rios

E pelas artérias

E pelas teias do ar

A instância maior faz-se em substâncias.

 

Veia artística…

Transluzeação viva da Ópera Cósmica.

 

                                                                                – Hans Machado





Manto do Tempo

9 10 2009

Estico a alma num braço

E com minha mão toco a estrela.

Ela se abre em entranhas de luz e significados.

 

Seu núcleo de explosões ressoa pela teia musical.

Os tendões cósmicos formam uma partitura viva.

Enxergo as fibras do Tempo: acordes.

 

A luz vibra seus sons,

A harmonia é a distância entre os tons.

Acorde: simetria de passado e futuro.

Dissonâncias presentes nas cores de um grito sem bordas.

 

Matéria impregnada de si.

Pintura guinada de sentidos estelares.

Ilumino meu canto e coagulo a posição de minhas notas.

Mantro-me em tempo-luz.





Arte Ritual

9 10 2009

Criança que sabe fingir…

Pobre… por pura inocência acaba por infringir

Não as regras mas a carne ingênua de si.

 

Finge em si o que os outros dizem,

Tenta acreditar-se a norma doutros

Que acredita serem doutos.

 

A carne antes tenra terá de contorcer-se

Para tirar de si contornos alheios e ser-se.

Tornar-se e de si tornear-se.

 

Quanta terra vai precisar arar…

Tantas emoções vai ter que errar…

Até conseguir ver no mundo um decalque seu

Depurado em sua própria gútura.

 

Gruta alquímica gestual,

Gesto-alma borbulhando-se em proto-sentidos

Verdadeiros e abissais

Até vomitar-se, nem bem, nem mal,

Apenas natural.

 

Adulto, então,

A Criança

Poderá contorser-se e

Ofertar ao mundo sua parte,

Seu recheio, seu contorno, sua arte.

 

Sem o tormento de não atingir,

Tingirá com cores próprias seu ir-e-vir.

Tangerá trocas e amores

E fecundará com suas sementes e ardores

O Ritual Universal de Criação de Sentidos.

 

                                                       – Hans Machado





Aderências

9 10 2009

Apalpo o mundo com meu ser.

E sem saber os inícios nem os fundos,

Envolvemos mutuamente nossa viscosidade.

 

Movimentos…

Pressões, impressões: vamos nos dizendo

Na linguagem das forças e aderências.

Puxo-me e estica-se o muco de nossas ligações,

Nosso tecido vivo em comum.

 

Conheço o Sol quando encosto em seu quente e quando

Meus olhos abraçam sua força.

 

Proporciono meu nariz no ar

Inspirando e devolvendo um tamanho meu

Em tempo nosso.

 

Com e Ser,

Dentro, em volta e juntos,

Neste viscoso co-existir.

 

Faces de contato,

Superfícies de revelação.

Com a palma do rosto

Beijo os ares, os mare, os vales e

Amo as gentes.

 

A emoção impulsiona a imaginação.

Imageamento por ressonâncias,

Sonar de todos os sentidos.

Em sonho ou vigília,

Tateamos imensidões.

 

Abro um livro e apalpo a pleura humana

Distâncias adesivas de expansão e troca.

Digestão de vivências,

Difusão de existências,

Substância semântica vital, sêmen nutritivo,

Infusão de alma líqüida tornando-se carne, minha,

E conheço-me por dentro.

 

Encosto em você…

Toca-me.

Em você me toco e

Gememos a luz de uma igualdade intuida: equinócio,

Equi-nós.

 

Al’ Camin Amo Sjuntos!