Arte Ritual

9 10 2009

Criança que sabe fingir…

Pobre… por pura inocência acaba por infringir

Não as regras mas a carne ingênua de si.

 

Finge em si o que os outros dizem,

Tenta acreditar-se a norma doutros

Que acredita serem doutos.

 

A carne antes tenra terá de contorcer-se

Para tirar de si contornos alheios e ser-se.

Tornar-se e de si tornear-se.

 

Quanta terra vai precisar arar…

Tantas emoções vai ter que errar…

Até conseguir ver no mundo um decalque seu

Depurado em sua própria gútura.

 

Gruta alquímica gestual,

Gesto-alma borbulhando-se em proto-sentidos

Verdadeiros e abissais

Até vomitar-se, nem bem, nem mal,

Apenas natural.

 

Adulto, então,

A Criança

Poderá contorser-se e

Ofertar ao mundo sua parte,

Seu recheio, seu contorno, sua arte.

 

Sem o tormento de não atingir,

Tingirá com cores próprias seu ir-e-vir.

Tangerá trocas e amores

E fecundará com suas sementes e ardores

O Ritual Universal de Criação de Sentidos.

 

                                                       – Hans Machado

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