Ân-Cia

28 12 2008

Um excesso de excessos.

Sentidos ávidos… e cesso de ver.

A mão procura, mas pareço ser

Boca sem estômago.

Língua meio dormente

Pela demasia dos temperos

Que não escolhi.

 

Excesso de objetos, vozes, caminhos,

Turbilhão estranhamente passivo.

Não há pausa no ruído dos desejos anônimos

E quem se apóia no nome o faz por não ter substrato pessoal mais denso.

 

Ansiedade.

 

Minha ansiedade

Não encontra seu alvo,

Não me conta sua falta.

Nada lhe apetece

Na desrespeitosa avalanche de produtos e coisas,

No enxame de idéias, instituições e causas:  Zumbido!

 

Perceber a pressa ao redor

Só aumenta minha aflição incerta.

Faz-me crer que eu deveria estar correndo,

Mesmo sem saber para onde…

O que importa é correr.

Correm, correm!

Eu-correria…

 

Mas minha ansiedade parece querer outra coisa,

                                            Ou… Tracoisa,

                                               Frapoisa,

                                           Trapoisa,

                                        Trapo,

                                     Poesia,

                                 Raspo,

                             Poderia,

                       Frasco,

                  Colheria,

          Encheria

De poupa

Suculenta

Da alma natural,

De si e da Terra.

De nós….

 

Traga-me um copo d’água…

 

 

                        – Hans Machado

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